terça-feira, 27 de julho de 2010


UM TRATADO SERIÍSSIMO POR UM MUNDO MELHOR


Cresci com a minha mãe dizendo que mulher que só pensa em sexo não é coisa boa. Tantos livros para ler, tantas contas para pagar, tanta tristeza e violência no mundo, tanta coisa séria para pensar... Sinto muito, mamãe. Mas acho que vou te decepcionar. Sabe, fiz uma recapitulação da minha vida e descobri que, apesar de tudo, não passei um segundo da minha existência pensando em outra coisa. Eu nunca comecei cursos ou empregos novos, verdadeiramente motivada pelos desafios de uma carreira, ou de salários melhores. O que sempre me impulsionou era a pergunta: aqui tem um bom número de homens para quem eu daria? Não? Então, não quero.

Não que eu fosse dar para todos. No final das contas, apesar de eu adorar a minha personagem que vende o oposto, acabo não dando pra ninguém ou quase ninguém. Mas não há nada melhor do que estar em um ambiente onde isso poderia acontecer. E que atire a primeira pedra o ser humano que não pensa assim. Juro que não é promiscuidade, é apenas a natureza. Sexo é a melhor coisa da vida e ponto final. Quando acabam as chances de ele acontecer, partimos para outros ares.

Os homens compram carros maiores; as mulheres, peitos maiores. Eu mudo de emprego ou turminha de amigos. Mas a verdade é que estamos todos pensando em sexo. Até um filme interessante é ainda mais interessante quando alguém quer transar com você porque você achou
o filme interessante.

Existe fazer a mala feliz, se você não tiver ao menos uma esperançazinha de fazer sexo no lugar para onde está indo?


E sorte de quem tem uma boa vida sexual associada a um amor verdadeiro.

Essa soma sim, é a verdadeira busca da vida.


Que Caminho de Santiago que nada. Que meditar em cima de uma montanha que nada. Já viu alguém que está superfeliz no amor e trepando horrores sumir para
encontrar seu verdadeiro eu?

Isso é coisa de quem tá na seca ou acabou de levar um pé na bunda. Entre um belo corpo nu e um tronco, só um babaca vai preferir trocar energias com a árvore.

Mas sabe, mãe. Eu não acho que meu prazer seja tão egoísta quanto você pensa. Eu lembro que uma vez estava caminhando na praia e vi uma bolinha de frescobol atingir uma gordinha mal-humorada. Ela esbravejou. Ameaçou bater no moleque . Tocou o terror. E o pai do garotinho, que estava jogando frescobol com ele, apenas gritou: “A senhora não goza, não?” Adorei aquilo.

Acho que a violência nada mais é que o desejo sexual reprimido. Nada me tira da cabeça que, se todos transassem loucamente, o mundo seria infinitamente menos louco.

Um comentário:

Andarilho Che (Bin Laden) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.